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quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Alessandro não falou nada. Em vez disso, estendeu a mão e acariciou meu rosto como fizera naquele dia na Fontebranda e dessa vez eu entendi exatamente o que queria dizer. Tivéssemos ou não sido verdadeiramente amaldiçoados e houvéssemos ou não quitado nossa dívida agora, ele era minha benção e eu era a sua, e isso era o bastante para desarmar qualquer míssel que o destino - ou Shakespeare - ainda tivesse a tolice de lançar conta nós.

Julieta - Anne Fortier


Parada ali, de repente compreendi por que eu fora atormentada a vida inteira pelo medo de morrer jovem. Toda vez que tentava imaginar meu futuro além da idade que minha mãe tinha ao morrer, não via nada além de escuridão. Só então aquilo fez sentido. A escuridão não era a morte, mas a cegueira; como eu poderia imaginar que iria despertar, como quem desperta de um sonho, para uma vida que eu nunca soubera que existia?

Julieta - Anne Fortier 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


Só me lembro dos olhos do homem que se recusou a me perder de novo e que me arrancou das garras do Bardo, para podermos enfim escrever nosso final feliz.

Julieta – Anne Fortier


Olhe para mim! – implorou – Olhe para mim, Giulietta!

Julieta – Anne Fortier


Quanto terei caído? Minha vontade é dizer que despenquei pela própria extensão do tempo, atravessando vidas, mortes e séculos passados, mas, em termos de medidas reais, a queda não passou de uns quatro metros e meio. É o que dizem pelo menos. Dizem também que, para minha sorte, o que me acolheu no mundo subterrâneo não foram rochas nem demônios. Foi o antigo rio que nos desperta dos sonhos e que poucos tiveram permissão de encontrar.
O nome dele é Diana.

Julieta – Anne Fortier

domingo, 5 de agosto de 2012


 “Olhei para tudo à minha volta, menos para ele. Alessandro estava usando uma daquelas sungas europeias mínimas, mas essa era a única coisa mínima a seu respeito. Sentado ali, à luz do fim de tarde, parecia feito de bronze; seu corpo praticamente reluzia e era óbvio que fora esculpido por alguém intimamente familiarizado com as proporções ideais do corpo humano.”


Julieta – Anne Fortier


“Nunca saberei quanto tempo durou nosso beijo. Foi um daqueles momentos que nenhum cientista jamais consegue reduzir a números, por mais que se empenhe. só sei que, quando enfim o mundo voltou rodopiando, vindo de algum lugar agradavelmente distante tudo estava mais luminoso do que antes e valia mais a pena. Foi como se todo o cosmos houvesse passado por uma reforma exorbitante desde a última vez que eu o olhara… Ou talvez eu nunca tivesse olhado direito.”


Julieta - Anne Fortier

sexta-feira, 27 de julho de 2012


Quanto às cartas endereçadas a Romeo, recebia respostas ardentes a cada uma delas. Se a jovem falava em centenas, ele respondia em milhares e, quando ela falava em gostar, ele falava em amar. Giulietta era ousada e o chamava de fogo, mas Romeo era ainda mais intrépido e a chamava de sol; ela se atrevia a pensar nos dois juntos em um salão de baile, porém ele não conseguia pensar em outra coisa senão em estar com ela a sós…


Julieta - Anne Fortier

domingo, 22 de julho de 2012


“Tu acreditas que o grande amor traz em si as sementes de grandes sofrimentos. Bem, talvez tenhas razão. Talvez as pessoas sensatas evitem uma coisa para ficar a salvo da outra, mas eu preferiria ter meus olhos queimando em suas órbitas a nascer sem eles.”


— Julieta - Anne Fortier

quarta-feira, 18 de julho de 2012


“Eu queria ter o poder de inverter a realidade de cabeça para baixo como uma ampulheta, assim a vida não seria um assunto finito, mas sim uma passagem eterna através de um pequeno buraco no tempo.”


Julieta - Anne Fortier


“- Pense bem. Se Julieta tivesse conhecido Páris primeiro, teria ficado apaixonada por ele. E os dois viveriam felizes para sempre. Ela estava pronta para se apaixonar.
- Claro que não! - objetei. - Romeu era uma gracinha…
- Gracinha? - Alessandro revirou os olhos. - Que espécie de homem é uma gracinha?”

—   Julieta - Anne Fortier

domingo, 15 de julho de 2012



"Porque você acabou de descobrir quem é (...) e tudo finalmente começa a fazer sentido. Tudo o que você fez, tudo o que optou por não fazer... agora você entende. É o que as pessoas chamam de destino"


- Julieta - Anne Fortier

sábado, 14 de julho de 2012



“Você estava certo e eu estava errada. Quando a vida fere mais do que a morte, não vale a pena viver.”

—           Julieta - Anne Fortier

sexta-feira, 13 de julho de 2012


 - Bem, eles estavam por perto ontem à noite. Disseram ter visto um homem no seu quarto.
  Caí na gargalhada, afinal tudo aquilo era absurdo demais:
  - Isso é ridículo! Um homem no meu quarto? No meu quarto? -  Ao ver que ele ainda não estava convencido, parei de rir. - Olhe, ontem à noite não havia homem nenhum no meu quarto e também não havia homem nenhum na torre - afirmei ansiosa. Por pouco não acrescentei “Não que você tivesse alguma coisa a ver com isso, se houvesse”, mas me contive ao perceber que isso não era o que eu realmente sentia.  - Ora, ora! Estamos parecendo um casal que vive junto há muito tempo. 
  - Se fôssemos casados - rebateu Alessandro, ainda sem sorrir -, eu não precisaria perguntar. O homem no seu quarto seria eu.
  - Os genes dos Salimbeni - comentei, revirando os olhos - estão novamente mostrando sua cara feia. Deixe-me adivinhar: se fôssemos casados, você me acorrentaria no calabouço toda vez que saísse de casa, certo?
  Ele considerou a idéia, mas não por muito tempo:
  - Eu não precisaria disso. Depois de me conhecer, você nunca mais iria querer outro homem. E - completou, finalmente pousando a colher na mesa - se esqueceria de todos que já conheceu. 
  As palavras dele - meio brincalhonas, meio sérias - enroscaram-se em mim feito um cardume de enguias num afogado e senti milhares de dentinhos pondo à prova minha compostura.


Julieta - Anne Fortier

quarta-feira, 4 de julho de 2012


Tudo o que dizemos é uma história. Mas nada do que dizemos é apenas uma história.

—  Julieta - Anne Fortier

Dizem que morri. Meu coração parou e eu não respirava - aos olhos do mundo, estava morta de verdade. Alguns dizem que durou três minutos, outros afirmam que foram quatro. Pessoalmente, começo a achar que a morte é, acima de tudo, uma questão de opinião.


Julieta - Anne Fortier